sexta-feira, 4 de julho de 2014

No Breu de Abril a Maio



E nenhum dos dois tiveram coragem
Para plantar o bom desejo que houve ali.

. . .

Mas o tempo passa e sempre passará
Passou e chegou.

. . .

Breu!

No espelho nos tornamos um só,
Havia aquela meia-luz romântica;
Aquele raio lunar que invade o recinto sobre o vidro quebrado da janela.
Havia aquele texto poético sussurrado,
Havia aquele diálogo banal e consequentemente essencial.

Suas formas se desenharam aos olhos daquele que pouco vê, no breu.
Nem todo olho felino enxerga bem à numbra.
Há uma penumbra,
Vejo linhas formadas por curvas

Luz!

Ainda no espelho nos tornamos um só
Minha pele, sua pele: Negras
Minha boca, sua boca: Carnudas
Meus olhos, seus olhos: Verdes e Castanhos
Meu cheiro, seu cheiro: só sinto o Seu
Cheiro este que fica impregnado no meu olfato durante toda saudade

Minha saliva brilha sobre sua pele
Sua saliva brilha sob meus olhos
Sua voz suave me pede para ir e para ficar
E então,
Eu vou e fico.

Julho D’Oliveira        06h40min 31/05/14




sexta-feira, 25 de abril de 2014

In Memoriam de um Outro Livro


Foi a primeira vez que um outro livro dormiu sob seu travesseiro. Sim, penso que naquela noite a virgindade se foi, naquela cama, naqueles lenções, naquelas cobertas et cetera, ali, in loco. Ali já se deitou e deleitou uma bíblia, um livro “dos sonhos”; daqueles que vem com os números da mega-sena e tudo, daqueles que nem se quer souberam que Freud existiu, mas tem vasto conhecimento sobre os sonhos, para cada inconsciência um déficit ou superávit.

Nunca vi outro tipo de livro sob aquele teto e consequentemente nunca sobre aquela cama, sei que lá se deita um corpus e suas intempéries. Nunca vi aquele corpus lendo um livro, nem os que já dormiram sob seu travesseiro, com certeza deve ler escondido. Minerva deve abençoar essa pessoa melhor, em sua solidão. O máximo que já vi aquela pessoa ler, foram: as intermináveis cinco linhas dos imensos folhetos que os Testemunhas de Jeová entregam-na todo sábado às 11h da manhã, faz parecer que a pessoa é parte do quórum e que sem ela as coisas não tem poder. Reza uma lenda que os Testemunhas vão nas casas nesse horário só para queimar o feijão dos visitados, já me disseram que essa é a meta, e quando é alcançada, algumas almas são salvas. Não sei, mas reza a lenda.

Falei, falei e nem falei como o tal outro livro chegou à cama virgem. Eu e meu livro – livro este que ganhei de uma gigantesca amiga que fizera até dedicatória depois da capa, como é de praxe – fomos ao recinto para o deleite, pena não ter leite e muito menos doce-de-leite, mas fomos com a priori de ler, já que a dona da cama não estava lá, um álibi ela tinha, tudo bem, melhor seguir... convidei um livro urbano e cotidiano, ele veio e me disse: “carpe diem!”. Respondi: “idem! Que assim seja”. E o aproveitei, li tais crônicas e alguns neurônios foram se unindo da mesma forma que minha sobrinha ia fazendo aquele castelo de lego, peça por peça, neurônio por neurônio. É preciso certo labor, mas quando o castelo fica pronto... é lindo, aquele monte de cores e suas curvas quadradas, de tanto laborioso, isso deveria entrar no curriculum vitae das crianças, “Cargos Anteriores: Construtor de castelos de lego”.

Após umas crônicas fui me rendendo aos braços de João Pestana, que provavelmente é o autor do livro “dos sonhos”.

06h00min 22/04/14

sábado, 19 de abril de 2014

O Poema do Poema ao Poema




O
    ”T” do concretismo é o tesão sem pecado e sem abominação.
 O “T” que desfila e versaliza pelo amor dos corpos. Um tezão para descrever o tanto
de Tesão
a pairar
sobre
o poema
que vos
pupila
abaixo,
ou de lado,
ou de quatro,
ou de frango,
eu prefiro...
assado.
10h00min 19/04/14







Poema inspirado no poema abaixo, ou de lado...


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Talvez Seja



Talvez seja o cansaço
Talvez seja o sistema
Talvez seja a imprensa
Talvez seja a falta de conhecimento
Talvez...
Talvez seja o comodismo,
Talvez seja o velho discurso: "Em quase todo lugar é assim, aqui não seria diferente".
Talvez seja o medo,
Talvez... talvez... talvez...
Talvez seja tudo.


18h56min 18/02/14

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A Calma e A Raiva




Ah... A calma...
É algo que em mim permanece
Mas somente o seu oposto
Me persegue
Tentando me levar a um mundo
Poucas vezes habitado.

Ah... A raiva...
É algo que em mim se dispersa
Mas somente o seu oposto
Me habita
Tentando me levar a um mundo
Que vivo enraizado.

00h30min 07/01/13

Pôr do Sol de Uma Janela


Um pôr do sol na estrada
Um pôr do sol na praia
Um pôr do sol no quintal de casa
Ah tanto faz!
Todo pôr do sol é inspirador
De formas tão diversas 
O seu resplendor;
Traz um brilho compensador
Compensando todo fim de cada pôr.

21h00min 08/01/13

Encontro Marcado


Quando chega o horário do nosso encontro marcado
Bate algo...
Algo que não sei explicar.
Algo que necessita de algo
Algo que preencha esse algo
Ainda não entendido.
Essa espécie de vazio
Permanece do princípio ao fim do horário do nosso encontro marcado
Que não se encontra faz algum...
Tempo.

17h26min 21/01/13